2 meses em Turim para Ni – No olho do furacão


No dia 17/05, completei 2 meses em Turim. Tão pouco tempo pra tanta mudança. Na verdade, faz mais ou menos 5 meses que o processo de mudança começou. Primeiro me afastei do trabalho, mas era fim de ano com suas festas que nos ocupam o tempo e a cabeça. Em janeiro ficamos por conta de “desmontar” a nossa casa e finalizar as burocracias, e eu continuei ocupada demais. E então o Fabiano veio pra Turim e eu fiquei em stand by na casa dos meus pais em Campinas.

Eu sei que já escrevi sobre todas essas fases, mas preciso contar uma coisa que acho que não contei ainda: eu não me preparei realmente para a mudança. E só percebi isso quando já estava em Turim, fechada num apartamento num dia chuvoso (de uma semana chuvosa) com uma criança de 1 ano e meio.

Pois é, o choque de realidade veio de uma vez só. Por não ter me preparado emocionalmente para a mudança, eu me vi, de repente, sendo dona de casa e mãe num país cuja língua ainda estou aprendendo. E eu chorei sentada no sofá horroroso que tem aqui em casa pensando no que eu havia feito com a minha vida. Eu que nunca quis deixar de trabalhar para cuidar de filho, me vi nessa condição e foi muito doloroso. É gente, foram dias difíceis aqueles, mas agora as nuvens começaram a dissipar.

Além de toda bagunça emocional em que eu me encontrava, eu ainda tinha que transformar um apartamento num lar, descobrir o que comprar no mercado, onde comprar, conhecer a cidade, criar uma rotina para a Olívia e  aprender italiano. É óbvio que não consegui fazer tudo isso e depois de 1 mês aqui eu pensei seriamente em voltar pro Brasil com a minha pequena, mas graças às pessoas importantes da minha vida, essa fase passou.

Aos poucos estamos arrumando o apartamento onde moramos. Eu já sei o que comprar no mercado e não almoçamos e jantamos massa com molho pesto todos os dias mais (sério, esse foi o cardápio das primeiras semanas).  Aos poucos estou conseguindo criar uma rotina pra Olívia e estamos nos entendendo a cada dia mais nessa nossa nova convivência intensiva.

Mais uma vez, aqui cabe um clichê: o tempo é o melhor remédio. E eu decidi deixar o tempo agir. É óbvio que ainda tenho dias difíceis e me sinto perdida quando as coisas saem do meu controle, mas eu hoje sei que tudo se ajeita e que nada é assim tão definitivo.

Agora, após 2 meses em Turim, posso dizer que a cada dia que passo me apaixono mais pela cidade e entendo porque estamos aqui. Percebo, cada vez mais, como essa mudança foi importante para mim. Toda mudança tem um aspecto de luto e algumas coisas são difíceis. Sair do comodismo em que eu me encontrava exigiu muito de mim e doeu (ainda dói as vezes, para ser honesta) e até eu me encontrar nessa nova situação em que eu me encontro, vai um tempinho ainda.

O que importa é continuar lutando e desejando…o resto ajeitamos 🙂

 

1 Comentário

  1. Minha querida, entendo muito tudo isso, porque passei por situação semelhante.
    Hoje sei que nada é por acaso e que tudo serviu para crescer como pessoa e me fortalecer ainda mais.
    Acredito que contigo, a Olivia e o Fabiano não será diferente.
    Temos potenciais que não conhecemos, até que se façam necessários.
    Beijo no coração.

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