Primeiro mês em Turim, ou quase isso.(Parte I – a chegada)


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Hoje é dia 13 de março. Faz exatamente 34 dias que estou na Itália. Faz 33 que estou em Turim. Vou fazer o relato deste primeiro mês em partes. Por vários motivos (trabalhos urgentes para entregar que ficaram pendentes de quando saí do Brasil, falta de celular funcionando bem e a busca incessante pelo apartamento. Depois disso, o perrengue da entrada no apê e etc…) acabei escrevendo menos do que deveria. De qualquer forma, vou intercalando os posts do que estou fazendo no momento com as memórias deste primeiro e intenso mês.

Quem acompanha as minhas mídias sociais pessoais e as do InTurim deve estar achando que eu estou de férias em um paraíso. Mas o buraco é bem mais embaixo. Fica complicado fazer relato de infortúnio em rede social, todo mundo se preocupa e fica apreensivo, e até explicar que o focinho do porco não é tomada, vai um tempão. Por isso decidi fazer isso em formato de post, depois que tudo esteja bem novamente, explicado em detalhes, para não dar margem a mal-entendidos.

É importante também ter em mente que as coisas não surgem assim, de graça no horizonte. É preciso desenvolver e colocar à prova habilidades que às vezes precisamos descobrir que temos. Embora nem tudo seja dito, há momentos em que os pés doem, o coração chora, os olhos mal conseguem ficar abertos e a mente emborca em um redemoinho de emoções que transforma a realidade em algo embaçado e distante. E é preciso calma, paciência e foco no propósito para que tudo isso passe, e a as coisas tomem o seu caminho novamente.

Mas uma coisa é fato: é preciso estar comprometido com o fato de que não há retorno e o único caminho possível é dar mais um passo a frente.

O primeiro dia em Milão foi ótimo pra que eu pudesse me ambientar, pegar as primeiras manhas de transporte público italiano, habilitar um número de telefone celular na Itália, estas coisas.

Minha primeira dica é tão óbvia que eu nem sei se deveria escrever: faça um bom plano de dados. Pra quem sabe usar bem o smartphone e principalmente o google maps, é uma mão na roda. Pedi pouquíssima informação até agora e tenho conversado com os italianos mais em ocasiões rotineiras ou para bater papo mesmo. O Google resolve 99% das minhas dúvidas aqui sobre a cidade, horarios de ônibus, tram, metro, trens, abertuta e fechamento de lojas, comercios próximos, etc…

Tomei meu trem para Turim ao meio-dia do dia 8 de fevereiro de 2017. Cheguei lá pelas 14hs. Estranhamente eu parecia em casa. Até sair da estação de metrô.

Na primeira rua fiquei parado na frente a um onibus, esperando ele passar. Com duas malas pesadas. Chovia fino, o frio era de mais ou menos uns 4 graus, as ruas cinzas e desertas. Os edifícios se confundiam entre novos e velhos, mas a  atmosfera era de cidade meio morta, meio viva.

Depois de 7 quadras puxando as duas malas, o google até que foi bem preciso: estava em frente ao número indicado. Via Saorgio, 16.

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Havia um bar logo ao lado, onde entrei a fim de avisar a Ni que já havia chegado e verificar como os meus anfitriões do AirBnB, com quem havia combinado às 17h. Era um bar um pouco estranho, com pessoas bem estranhas.

Resolvi ir até a esquina, onde havia uma confeitaria. Pedi um café e um corneto vuoto (mais conhecido como croissant), e aguardei a chegada do Francesco (meu anfitrião do AirBnB).

Francesco estava no restaurante de sua família, o Ai Doi Scalin, tavola calda (uma espécie de self-service onde você come por peso e pede para ser servido das comidas que estão expostas, enfim, um self-service onde você não se serve :|) especializado em cozinha artesanal piemontesa. Quando eram 16:40, Valentina (minha anfitriã) avisou que o Francesco estava chegando.

Subi as escadas e o Francesco, que foi muito gentil e me mostrou o apartamento todo, me deixando bem a vontade, me mostrou onde estavam todas as coisas (comida, café, àgua) e me mostrou um quadrinho com algumas das coisas a se fazer em Turim.

Foi a minha primeira vez com aluguel de quarto no AirBnB e achei muito boa a experiência. O quarto e a casa eram limpos, bem decorados e organizados. Falei que precisava comprar um computador (o meu antigo havia quebrado um pouco antes da viagem) e um celular (que estava com a tela quebrada e problemas de câmera fazia já 2 meses e eu estava aguardando para trocar na viagem). Ele me indicou a Unieuro e me deu uma carona até lá, num shopping chamado SNS. O primeiro “Cazzo!” que ouvi foi no trânsito, por causa de um engarrafamento.

No caminho conversamos e ele me contou de um amigo brasileiro que estava em Turim, trabalhando de uma agência daqui. E que por coincidência era de Campinas (cidade onde a Ni morou muito tempo, e estava agora com a Olívia) e por coincidência pontepretano (como o meu sogro).

O shopping é um misto de lojas e apartamentos com lofts bem bonitinhos, uma Unieuro, um Lidl e um Il Gigante, fora umas lojinhas de roupas, ótica, perfumaria e uma praça de alimentação com uma boa variedade. Fica em frente ao Parco Dora, um parque lindíssiomo.

Fui dar uma olhada no celular e no computador, fui no super, e voltei pra casa com algo para comer e beber.

Tenho que admitir que tive muita sorte. A presença deles todos os dias, a forma como me acolheram na rotina deles, fizeram com que eu me sentisse em casa. Possivelmente seria muito pior se eu não tivesse alguém com quem dividir os meus problemas, as dificuldades com as imobiliárias ou sem as ajudas sobre a própria localização dos apartamentos ou as questões legais envolvendo contratos e formas de atuação tanto dos corretores quanto das imobiliárias.

No próximo post sobre o primeiro mês em Turim falarei sobre o que eu encontrei aqui procurando apartamento, as minhas impressões em relação ao tratamento do pessoal das imobiliárias, o que funcionou, o que não funcionou, o que eu acho que poderia ter funcionado e de forma geral o que achei do povo e da cidade nestes primeiros dias.

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